sábado, 9 de outubro de 2010

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Crônica - Quem matou Rafael?

Por Elisa Lucinda

Sei da morte do filho da minha querida Cissa Guimarães. Meu coração começa a doer como se fosse o dela, como se a gente fosse parente, e quase como se fosse menino meu, embora nada chegue aos pés da dor dela. Claro que morrem milhares de jovens nesse país a toda hora, nem ficamos sabendo da prematura e anônima notícia, e é por isso que dirão que só nos comovemos com essa perda porque é filho de artista. Ora, é e não é.

Essa atenção se dá não só porque temos acesso ao fato, porque sai no jornal, mas principalmente porque o artista nos representa. Cissa simboliza alguns signos: força feminina, independência, modernidade, informalidade, honestidade, responsabilidade materna; sem contar seu carisma e sorriso, que fazem dela uma espécie de gente da nossa família. Dói na gente porque representa nossos filhos e os filhos de quem não sai no jornal. O menino dela é menino nosso. Tenho em minha mente a imagem dela lendo meu poema “Chupetas, punhetas, guitarras” no espetáculo “O Semelhante”. Adora esse poema e, como minha convidada, chorava lágrimas sinceras ao dizer os versos: “meus filhos..., afirmo que quero morrer antes deles.”

Por causa dessa imagem nem tive coragem de ligar para ela e, impossibilitada de dar-lhe meu abraço por estar em viagem, busquei nas palavras algum remédio que buscasse o entendimento desta tragédia. Pergunto: “O que matou esse jovem de menos de 20 anos? O que lhe roubou o futuro?”. Pelo o que li e vi na TV, a impunidade integra, de novo, o elenco da barbárie.

Não conheço os assassinos de Rafael e nem quero aqui ser leviana, mas sempre vejo uma legião de famílias que não priorizam o amor pelo seu semelhante no conteúdo educacional dos seus filhos. Não é só para bandido que a vida não vale nada. Ela também não vale para o menino que, com o carro que talvez nem possa manter, dá cavalo de pau em um túnel fechado cuja placa de interdição ele não aceita.

Há jovens criados com a perversa ilusão de que tudo podem e que diante de seu poder e dinheiro não existem porta fechada, respeito, lei. Alguém dentro de casa ensinou, através de palavras ou ações, a esses meninos infratores da classe média e da alta, que a vida não vale nada. Isso tem raízes mais profundas e nos leva a questionar como estamos educando nossos filhos.

Por isto e para isso escrevo, para que não fiquem impunes os cúmplices desse crime por atropelamento, para que os pais parem de uma vez por todas de armar seus filhos por fora oferecendo-lhes carrões, cartões de crédito sem limite, conivência e nenhum juízo, e passem a amá-los por dentro mostrando os valores que o dinheiro e o poder não compram, mas que podem salvar uma vida.

Cissa, meu amor, quem me dera essas palavras pudessem restituir o tecido rasgado do seu peito nessa hora. Quisera poder anestesiar o seu sofrer que recordará a partida do seu fruto. Não posso. Só sei que o tempo fará com que, o que hoje é ausência, vire presença luminosa e eterna na sua memória e que você, Raul e seus outros filhos construam com valentia e calma essa sublimação.

Termino essa crônica com os versos de seu poema: “Choram meus filhos pela casa, eu sou a recessiva bússola, a cegonha, a garça, com o único presente na mão: saber que o amor só é amor quando é troca e a troca só tem graça quando é de graça.”

Fonte: A Gazeta

sábado, 31 de julho de 2010

Tempo de Travessia -

DE Fernando Teixeira de Andrade.

Não sei se estou perto ou longe demais, sei apenas que sigo em frente, vivendo dias iguais de forma diferente.

Levo comigo cada recordação, cada vivência, cada lição.

E mesmo que tudo não ande da forma que eu gostaria, saber que já não sou a mesma de ontem me faz perceber que valeu a pena. Aprendi que viver é ser livre, que ter amigos é necessário, que lutar é manter-se vivo.

Aprendi que o tempo cura, que a mágoa passa, que decepção não mata!

Que hoje é o reflexo de ontem, que os verdadeiros amigos permanecem para sempre e que a dor fortalece.

Aprendi que sonhar não é fantasiar, que a beleza não está no que vemos e sim no que sentimos!

Aprendi que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar a aparência.

Que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.

Aprendi que não é preciso correr atrás da felicidade, ela está nas pequenas coisas, e hoje, sei que posso ser e fazer o que quiser, mas a gente é aquilo que faz, é o que vale a pena e só o que permanece...

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas...

Que já têm a forma do nosso corpo...

E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares...

É o tempo da travessia...

E se não ousarmos fazê-la...

Teremos ficado...

para sempre...

À margem de nós mesmos...
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos
Fernando Teixeira de Andrade

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Hoje, pela manhã, o "BOM DIA ES" me deu um material excelente para uma crônica. Não deu outra... Sentei à frente do computador e o resultado tá aí! Espero que gostem...

FALSIDADE IDEOLÓGICA

Flávio teve uma noite de orgias. Conheceu Teresa, Ana, Maria e Suzana, naquela luxuosa casa, à beira-mar. Passou a madrugada inteira mergulhado em luxúria e prazer. Encontrava nos braços daquelas mulheres a paixão, a volúpia e o gozo. Contudo, na hora de pagar, gastou todo o dinheiro que tinha - o salário do mês - e tendo este sido insuficiente, teve que deixar a sua moto, cuja prestação ainda estava lá nas primeiras folhas do boleto de trinta e seis páginas. Perdeu o salário, a moto e a sua verdade.
Flávio era casado. Ao chegar a sua casa, demonstrando abatimento e dor, contou tudo o que havia acontecido. Disse: "Fui vítima de um terrível assalto. Os bandidos armados me levaram todo o salário do mês, tomaram a minha moto e me deixaram do outro lado da cidade. Tive que vir para casa a pé. Passei a madrugada inteira mergulhado em dor e sofrimento". Encontrou, nos braços da mulher, a compaixão, a ternura e o consolo.
Resolveram ir à delegacia. O escrivão registrava o boletim de ocorrência e Flávio fazia o seu relato que cheirava a história mal contada. Os policiais entreolhavam-se. Eram velhos de carreira e conheciam bem aquele golpe. As perguntas confundiam o nefasto homem. Mesmo assim, iniciaram a investigação.
Do lado de fora, Mariana, esposa de Flávio aguardava. Conheceu Helena, sentada no banco de cimento, logo ali ao lado dela.
Pobre Helena! Outra vítima da violência urbana. Ela estava sozinha, pois o marido havia viajado a trabalho. Helena tinha sido assaltada naquela mesma noite e os bandidos roubaram-lhe o relógio, o carro, o dinheiro e a sua verdade.

terça-feira, 16 de março de 2010

GÊNERO LÍRICO

Seu nome vem de lira, instrumento musical que acompanhava os cantos dos gregos. Por muito tempo, até o final da Idade Média, as poesias eram cantadas; separando-se o texto do acompanhamento musical, a poesia passou a apresentar uma estrutura mais rica. A partir daí, a métrica (a medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas), o ritmo das palavras, a divisão em estrofes, a rima, a combinação das palavras foram elementos cultivados com mais intensidade pelos poetas.

Texto que aparece no final do filme "Dez coisas que eu odeio em você" 
"Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Ainda mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar"



sábado, 30 de janeiro de 2010

ALEGRIA


ERA UMA VEZ... ALEGRIA
ALEGRIA TINHA MANIA DE BRINCAR DE SE ESCONDER
E TODOS A PROCURAVAM, INCANSAVELMENTE
POR ONDE ANDARIA ALEGRIA?
PELOS MONTES, PELOS CAMPOS,
PELAS RUAS, PELOS BECOS
PELAS ESTRADAS, PELOS RECANTOS?
EM QUE CANTO, ALEGRIA ESTARIA?

ALEGRIA NÃO TINHA ENDEREÇO.
POR ISSO, TODOS PERGUNTAVAM, CONSTANTEMENTE?
ONDE MORA ALEGRIA?
NOS POEMAS, NAS ESCRIVANIAS?
NOS FILMES E MELODIAS?
NAS HISTÓRIAS DE FANTASIA?
EM QUE ILHA, ALEGRIA HABITARIA?

MAS UMA COISA TODOS SABIAM:
ALEGRIA ERA FACEIRA,
ERA BONITA E TINHA JEITO SAPECA
TINHA UM SORRISO COM GOSTO DE SORVETE DE CHOCOLATE
E SUA RISADA ERA DE UM JEITO TAL
QUE DE TAL JEITO ERA, QUE NEM SEI EXPLICAR
MAS ERA UMA GARGALHADA DE ARRASAR.

ALEGRIA ERA LIVRE, SOLTA, JOGADA
VIVIA POR AÍ A ESPERA DE UMA BOA MOLECADA

ALEGRIA GOSTAVA DE GENTE,
DE TODO O TIPO DE GENTE
GENTE IMPORTANTE, GENTE SEM DENTE
GENTE IGNORANTE, GENTE INTELIGENTE,
GENTE CURADA E DE GENTE DOENTE
GENTE PEQUENA E GENTE GRANDE,
GENTE DE QUALQUER COR E DE QUALQUER LUGAR
GENTE QUE NEM SABE QUE É GENTE

ALEGRIA GOSTAVA DE COMPANHIA
ERA A AMIGA MAIS CHEGADA
E SUA ESTADIA PODERIA DURAR UMA HORA, UMA NOITE, UM DIA,...
MAS O QUE ALEGRIA MAIS QUERIA
ERA FICAR POR TODOS OS DIAS
RINDO A TOA, DEIXANDO PELO AR O SEU PERFUME
AQUELE CHEIRO DE HARMONIA
AQUELE GOSTO DE SATISFAÇÃO
AQUELA FELICIDADE!!!