Decididamente, a
morte não é legal. Ainda mais quando é morte de gente jovem, de gente querida,
de gente famosa, de gente que tem um monte de coisa para fazer na vida... Morte
é triste, é inesperada, é trágica, é nó na garganta, é dor que dói tanto e de
tanto doer endoidece, emudece, entristece! É uma piada de muito mau gosto. É o
“gran finale” de um espetáculo que não tinha a menor intenção de acabar. Pra
que apagarem as luzes no amanhecer da aurora ou ainda no auge do meio dia da
vida? Ainda vai lá, D. morte, quando tu chegas é já se faz penumbras naquela
existência e assim mesmo, reclamamos e dizemos: “- fulano, coitado, tinha tanto
pra viver”... Nunca deixarei de achá-la cruel e má. Minha vó morreu com 96 anos,
mas como sei de várias avós que morreram com mais de 100, achei uma sacanagem a
minha ter sido levada por ti antes do centenário dela. Nunca a acharei bela e
jamais farei versos que lhe traduzam doçura. O “Quando em meu peito rebentar-se a fibra”[1] é
inimaginável quando se há um universo de sonhos, de expectativas, de projetos,
de coisas pra se fazer lá em
casa. Nada é mais ultrajante do que dizer que chegou a sua
hora, quando se está na hora de resplandecer. Quando há uma coletânea de
inacabados por todas as partes: um álbum no Facebook pra se terminar, uma facul
pra cursar, uma cerveja pra festejar, um rock pra combinar. Um Enem pra fazer,
um beijo pra acontecer, um problema pra resolver, um novo dia pra nascer. Há
pessoas pra curtir, carnaval pra sacudir, viagens pra ir, relações pra
discutir. Músicas para compor - Vida para viver - pessoas para amar – gostos
para sentir.
Morte: insana,
desvairada, insensível, fugaz, ridícula, injusta, pérfida, ignóbil, intransigente.
Inegociável. Irremediável. Decididamente, sem graça.
Fabíola Sampaio –
12/09/2011
[1]
Lembranças de Morrer – Álvares de Azevedo, disponível em http://www.revista.agulha.nom.br/avz4.html#lembranca
. Acesso: 12 set 2011.
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