terça-feira, 17 de março de 2009

NOSSOS NÓS

Somos andarilhos de terras errantes
Buscamos trilhas, entramos por atalhos.
Visualizamos vales, embrenhamos por precipícios.
Desejamos os cumes, escalamos penhascos.
E lá do alto ecoamos os nossos gritos
A princípio como sonhadores
Depois como desbravadores
Mais tarde como descobridores
E, finalmente, como loucos
Nos silenciamos...
E encontramos nesta ausência sonora
todos os sons
Os sons da vida inteira
A inteireza do sons
Descobrimos que vivemos chegando e partindo
Achando e perdendo
E que a melodia mora aqui, oh!
Não pense que essa poesia é medíocre
E que estou gastando versos para falar que o que
Buscamos está dentro de nós mesmos...
Isso seria idiota!
Em nós só há nós
Vivemos para desatar as amarras que nos aprisionaram
A tudo que é importantemente superficial na vida:
Lâmina ignóbil, ígnea, ignífera...
(...)
Passamos quase toda a vida tentando mudar o mundo.
Até que numa bela tarde, tempestuosa, percebemos que é o mundo que muda a gente!
Que o mundo é um grande laboratório de gente
E que gente se contamina de gente
E que gente é doença e antídoto que cura a gente
E que somos, inevitavelmente, nossa última espécie...
Afinal o entardecer não poupa ninguém,
As janelas se fecham,

Amém...

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