terça-feira, 17 de março de 2009

VEROSSIMILHANÇA

Desculpe-me, se meus versos
Não são um romance
Não falam da paixão
Nem contam a história de um grande amor...

Desculpe-me, se meus versos
Ferem a métrica perfeita
Desconfiguram a lírica amorosa
Descompõem a rima tradicional

Desculpe-me, mas a palavra não quer calar
A voz suprema da gente que anda na rua
Precisa ecoar... ecoar... ecoar...

Queria, eu, versos de pura inspiração.
Mas a lágrima brasileira é o motivo de minha canção

Por isso, meus versos são tristes,
Arrebentam a fibra da poética romântica
E faz-se da dor, do medo, do lamento...

Meus versos, silenciosamente, querem justiça,

Meu poema, insistentemente, implora vida.

Meus versos estão cansados
Eles querem protestar
Querem saltar as linhas

Meus versos estão cheios de esperança.

Minha poesia é artigo de jornal.



Fabiola Sampaio, 2007

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