Desculpe-me, se meus versos
Não são um romance
Não falam da paixão
Nem contam a história de um grande amor...
Desculpe-me, se meus versos
Ferem a métrica perfeita
Desconfiguram a lírica amorosa
Descompõem a rima tradicional
Desculpe-me, mas a palavra não quer calar
A voz suprema da gente que anda na rua
Precisa ecoar... ecoar... ecoar...
Queria, eu, versos de pura inspiração.
Mas a lágrima brasileira é o motivo de minha canção
Por isso, meus versos são tristes,
Arrebentam a fibra da poética romântica
E faz-se da dor, do medo, do lamento...
Meus versos, silenciosamente, querem justiça,
Meu poema, insistentemente, implora vida.
Meus versos estão cansados
Eles querem protestar
Querem saltar as linhas
Meus versos estão cheios de esperança.
Minha poesia é artigo de jornal.
Fabiola Sampaio, 2007
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